sábado, 14 de novembro de 2009

Torcedores se emocionaram durante a partida que garantiu o título

A torcida que não para nunca está a toda velocidade e provou que o Vasco é mesmo o time da virada. O título e a subida para a Série A foram comemorados com uma bonita festa com balões de gás, que foram soltos da arquibancada e saíram do Maracanã para invadir a cidade, como a festa do Vasco, que assim como o sentimento, não pode parar.

— Eu sempre acreditei, nunca deixei de acreditar. Sempre soube que o Vasco iria virar — disse Alex Fagundes, torcedor e xará do herói do título, Alex Teixeira, que marcou o gol da virada.

Assim como a queda, a subida foi sofrida. O gol do título só veio a poucos minutos do fim. Mesmo tempo em que a torcida começou a chorar e vestir as faixas de campeão. Ao som de “o campeão voltou” e o “Vasco é o time da virada”, os jogadores deram a volta olímpica e gritaram junto com a torcida “É campeão”, que soou como música para os 50 mil apaixonados no estádio.

— É o quinto Brasileiro do Vasco. Mesmo que seja da Série B. Pode não ser tanto, mas é título do mesmo jeito. A festa vai até segunda-feira — disse Gustavo Fernandes.

Em um dos compromissos mais importantes do Vasco este ano, muitos torcedores chegaram atrasados. Para aqueles que ficaram presos no engarrafamento, e não conseguiram entrar no estádio antes dos 20 minutos, um consolo: não precisaram ver cinquenta torcedores do América-RN comemorarem o gol de Lúcio, aos 13.

— Levei uma hora e meia de Botafogo até o Maracanã, vindo do trabalho. Quando entrei, já tinha saído o gol. Diz aí, como foi? — disse o professor de geografia André Freitas.

As dificuldades encontradas pelo torcedores para chegar ao estádio poderiam ser comparadas ao congestionado time do Vasco. Se nas ruas ao redor do Maracanã a enorme quantidade de carros e ônibus impediam a livre circulação, dentro do campo o goleiro Rodolpho ficou no caminho de Élton.

Além de ficaram presos do lado de fora, integrantes de torcidas organizadas foram detidos pela polícia militar, que precisou intervir para conter um confronto de duas facções rivais.

No primeiro tempo, a torcida só comemorou quando o nome do goleiro Andrada, ídolo do clube, foi pronunciado no altofalante do estádio. Ele assistiu ao jogo ao lado de Roberto Dinamite. O governador Sérgio Cabral e os filhos também foram ao estádio.

Mas no segundo tempo, tudo mudou.

Ao bater o pênalti pela segunda vez, Elton empatou e segurou o grito de campeão por mais alguns minutos. E os torcedores do Vasco provaram que o sentimento é de perdão. Ao acreditar e incentivar Élton, que havia perdido um pênalti, mas teve coragem de bater outro, as 50 mil pessoas que foram ao Maracanã deixaram claro que erros — com os que levaram o Vasco à Série B — acontecem, mas podem ser reparados.

Como foram, com festa e título inédito.

Assim que Élton marcou o gol de empate em 1 a 1 com o Atlético-RN, sete pessoas levantaram sete letras douradas que formaram “É campeão”. As mesmas já haviam sido levantadas na primeira tentativa, mas a defesa de Rodolpho apagou a frase rapidamente.

Quando aconteceu o segundo pênalti, Elton pediu a Carlos Alberto para bater e apoio à torcida retribuiu com o grito de “Elton é o terror”. A bola entrou e o filme não se repetiu, a não ser pelas sete letras douradas que voltaram a brilhar.

Ao contrário da semana passada, contra o Juventude, recorde de público (78 mil) quando o Vasco chegou atrasado no estádio, desta vez foi o título que veio tarde, mas em boa hora, confirmando que o time é mesmo o time da virada.

— O público está de parabéns — disse o técnico Dorival Junior.

Enquanto os jogadores e Dinamite davam a volta olímpica, ninguém arredava o pé do estádio. A expectativa de bater o próprio recorde de público não ser confirmou, mas o Vasco superou todos os limites e dificuldades para voltar com orgulho para o lugar em que não deveria ter saído jamais.

Fonte: O Globo

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