Documentos entregues à Polícia Civil por funcionários do empresário Arthur Sendas — morto na madrugada de segunda-feira pelo motorista Roberto Costa Júnior, 28 anos — mostram que o acusado do crime sabia que não seria demitido porque estava de licença médica. Ele dirigia para o neto de Sendas, que está em viagem de seis meses no exterior, e por isso seria remanejado de função assim que voltasse ao trabalho. No dia seguinte ao crime, o assassino confesso disse informalmente à polícia que procurara o patrão para pedir que não fosse dispensado.
Ontem, prestaram depoimento na 14ª DP (Leblon) um funcionário do setor de Recursos Humanos das Sendas e um do prédio onde a família mora, no Leblon. No começo da noite, a delegada Bianca Araújo foi ao apartamento da viúva Maria Sendas para ouvi-la.
“Já sabemos quem matou. Falta agora saber a motivação. Isso está sendo o objetivo da nossa investigação. Temos duas linhas, mas não posso dizer por enquanto para não atrapalhar”, afirmou ela, que não descarta a hipótese de crime encomendado.
De acordo com os documentos levados à delegacia, assim que voltou de férias, no dia 7, Júnior apresentou um atestado médico com data de 30 de setembro, lhe garantindo 15 dias de repouso. No dia 15, ele pegou nas Sendas documento para solicitar licença pelo INSS.
O advogado Fábio Rib esclareceu que, por estar de licença médica, o motorista não dirigiu na semana passada para o empresário no lugar do pai, Roberto Costa, 60 anos, como sempre fazia quando necessário.
Entre os documentos há ainda um recibo de empréstimo de R$ 2.500 concedido a Roberto em junho. O valor seria devolvido em dez parcelas descontadas do salário. Há também um recibo de pagamento do dia 7, que mostra que, mesmo de férias, o motorista recebeu salário integral por alguns dias que trabalhou.
Em depoimento à 14ª DP, uma empregada afirmou que Júnior insistiu muito para falar com Sendas na noite do crime. Ela teria dito ao motorista que o empresário o atenderia pelo telefone do quarto, mas o acusado do crime afirmou que precisava falar com o patrão pessoalmente. Ele disse que seu pai havia sofrido um acidente. Diante da informação, o empresário teria decidido recebê-lo. Ao contrário do que Júnior alegou, a funcionária disse não ter ouvido qualquer discussão entre os dois, mas apenas um tiro.
‘SOUBE PELA CHEFIA DA SEGURANÇA QUE SERIA MANDADO EMBORA’
ENTREVISTA DE ROBERTO COSTA JÚNIOR, 28 anos, assassino confesso do empresário Arthur Sendas. Preso na Polinter da Pavuna, o motorista respondeu às perguntas escritas por O DIA em uma carta entregue a seu advogado, Alexandre Félix.
1 — Por que procurou o empresário Arthur Sendas às 23h55 de domingo, armado e mentindo, dizendo que seu pai havia sofrido um acidente?
— A arma estava na casa do meu pai. Eu a peguei quando fui embora para levar para minha casa. Menti para poder falar com ele pessoalmente. Soube pela chefia da segurança que seria mandado embora e fui até lá para pedir para não ser demitido.
2 — Uma das linhas de investigação da polícia é de crime por encomenda. A morte de Sendas foi uma encomenda?
— Isso é um absurdo. Foi acidental como já falei antes. Cometi um grande erro. Espero que a Justiça entenda que foi um acidente.
3 — Uma funcionária da casa disse que não houve conversa entre você e Arthur Sendas e que assim que o empresário se aproximou você atirou. O que houve realmente?
— Há um corredor onde ele me recebeu. Só é possível escutar alguma conversa da sala e não havia ninguém na sala. O que aconteceu é que discutimos e na briga a arma acabou disparando.
4 — Por que não socorreu o empresário ao vê-lo ferido, já que não tinha intenção de matá-lo?
— Fiquei sem ação. Não queria machucá-lo, muito menos matá-lo. Não pensei em socorrer porque cada um tem uma reação. Fiquei apavorado.
5 — O que você fez depois do crime?
— Fugi. Peguei o carro do meu pai e fui para a casa de um primo. Depois, fiquei andando de carro sem rumo. Almocei na rua até que recebi uma ligação do meu pai. Encontrei com meu advogado e resolvi me entregar. Peço desculpas à família. Quero que acreditem no que estou dizendo. Foi um acidente.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
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